Rapidinhas

27 05 2012

- Quando era miúdo era tão impopular, mas tão impopular mesmo, que não era gordo mas mandavam-me sempre para a baliza.

- No outro dia, vi no comboio uma senhora que usava, como marcador de página do livro que lia, um talão do Continente. Quem me dera ser tão fixe, eu que uso um reles cartão do Professor Karamba que me deram no Cais do Sodré.

- Ainda a notícia do gajo que foi condenado a pena suspensa por piratear músicas dos Delfins, da Alanis Morissette e do João Pedro Pais. Eu também considero a pena completamente descabida! Pena suspensa. “Suspensa”?!

- Há uns tempos fui dar uma corrida. Encontrei um grupo de pessoas a fazer uma espécie de meditação em grupo. Um dos tipos – ao mesmo tempo que fazia calmamente os gestos – tinha um sabre na mão. Um sabre! O que é que se segue? Um gajo a fazer yoga com uma AK47?!

- Nesse mesmo dia (sim, foi um dia em grande), ao voltar a casa, estava a decorrer uma espécie de torneio de futebol infantil num campo de uma escola lá ao pé. Mesmo não sendo pedófilo, achei bem ver crianças dos seus 7 ou 8 anos a divertir-se em grupo e a praticar, em nome de uma vida saudável, desporto. Depois vi que todos eles jogavam bem melhor que eu. Passei o resto do dia fechado em casa, deprimido.

- Aquela cena de não se poder fumar dentro do carro com crianças pode ser bastante grave. Se, para conduzirmos em paz, não se puder dar cigarros aos putos, como é que lhes calamos a tromba?!

- Odeio aquele género de programas sobre fama. Atores, músicos e, já agora, apresentadores que vão para a televisão celebrar a sua mediocridade. Porreiro era, quando um convidado vai ao estúdio e se senta, o apresentador recebendo-o com o habitual “Então, tudo bem contigo? Que tens feito?”, o gajo responder confundido “Como assim? Mas ainda agora nos vimos, quando snifámos coca no camarim…”

- Dia 25 de maio de 2012. Primeira página do Público e Correio da Manhã, respetivamente:

“Pais e professores antecipam catástrofe nos resultados do 9.º ano a Matemática”
“PJ investiga ameaça de chacina em escola”

Pois é. A mesma história, títulos diferentes.

- Já repararam naquela cena em anúncios do “PVP recomendado”? Preço de venda ao público recomendado? Tipo uma embalagem de Skip e tem o PVP recomendado, não sei quantos euros? Quando um tipo aceita um cargo público (deputado, gestor de empresa pública) deveria aparecer uma cena dessas no contrato. “PVP recomendado: a sua alma!”

- Haverá algo mais patético que uma ameaça de bomba numa convenção de bombistas-suicidas? Ah, ya: a Alexandre Lencastre a tentar falar com sotaque alentejano.





Intermission

23 05 2012

Dead Meat, “Osiris” (clip realizado pelo nosso director Rui Jacaré)





Revista de Imprensa

22 05 2012

Para muitas áreas ruminantes e execráveis da vida pública portuguesa, a chamada silly season aproxima-se e cada vez há menos do que falar. É assim na política e é, descendo um pouco mais, também assim no caso da blogosfera. Felizmente, aqui no Blog do Jacaré é fuckin’ idiot season todo o ano, termo em homenagem ao nosso diretor! E, portantos má-méne, o encher de chouriços também acontece. E é nesta sequência que hoje trazemos aos nossos leitores (imaginários) mais uma rubrica Revista de Imprensa.

E já que falámos no nosso diretor, que por acaso até sou eu mas gosto muito de falar no plural para celebrar a minha demência, vamos começar com uma notícia do apocalíptico Correio da Manhã envolvendo jacarés:

Escapa por pouco a ataque de jacaré
Uma tentativa de captura de um jacaré resultou num valente susto, esta semana, em Stacy, na Carolina do Norte: o biólogo Fred Boyce tentou colaborar na captura do animal que conseguiu escapar para uma área indevida.

in cmjornal.xl.pt

E agora atentem na legenda da foto: “Ao aproximar-se do réptil de 130 quilos, que estava com uma venda nos olhos, Boyce é subitamente alvo de uma investida, cai e o jacaré chega a morder-lhe no braço”. Vamos por partes, até porque era assim que o gajo ia ficando. Primeiro que tudo, que raio é isso do jacaré estar numa “zona indevida”? Foi ver um concerto de Coldplay e tentou entrar no camarim dos gajos? Depois, é referido que o réptil tinha uma venda nos olhos… Se calhar o bicho estava a jogar à cabra cega! A sério, os aligatorídeos curtem bué esse jogo. O nosso diretor adora, mas além de vendar-se também fica só de cuecas e pede que o açoitemos com um… Bem, isso agora não importa. O que importa é que tudo acabou bem: “o jacaré de três metros acabou por ser apanhado e transferido para a área devida.” O gabinete do Relvas, presume-se.

Falando de predadores, e esta, hein?

John Travolta terá tentado fazer sexo oral com actor do “Grease”
John Travolta passa por mais uma polémica sobre a sua sexualidade. Desta vez, há indícios de que terá tentado fazer sexo oral com um colega do filme “Grease”, o actor Jeff Conaway.

in ionline.pt

Okay, seus javardões, já sabemos no que estão a pensar. “Eh pá, se fosse eu, e tendo o outro gajo um apelido daqueles, eu fazia-lhe era outra coisa!” Enquanto tentam descobrir o erro nessa lógica, vamos a avançar. “Esta é já a quarta polémica em torno das investidas homossexuais de Travolta. Desta vez a denúncia foi feita pela mulher de Conaway, Vikki Lizzi”. Mas que raio?! “Investidas sexuais”? Mas estamos no tempo das cruzadas ou quê? E também é de notar o nome da bacana. Vikki Lizzi. Pois é, Yannick e Luciana… Este já tem dono.

Mas vejamos que mais diz a Bique. “… em entrevista ao National Enquirer, disse que Travolta, hoje com 58 anos, terá tentado fazer sexo oral com o seu marido, enquanto este dormia. Lizzi disse que tudo aconteceu na casa do Conaway, nos anos 90, e que a amizade deles acabou naquele momento.” Além de gostarmos da parte “na casa do Conaway”, não deixa de ser interessante esta conversa vir a lume uns, sei lá, vinte anos depois! Acho que alguém está desesperado por dinheiro… Vejamos o que disse sobre isto o nosso perito em Hollywood que, por acaso, diz exatamente o que vem na Wikipédia (o gajo percebe mesmo disto): “ [Conaway] Morreu aos 60 anos, de uma overdose de analgésicos, no dia 27 de maio de 2011”. Oops.

E o que dizer, e vamos finalizar uma vez mais com bola, do acordo entre o Benfica e a Servilusa? Ao contrário do que estão a pensar, a Servilusa não é a empresa que tem os barcos que atravessam o Tejo. A Servilusa é uma funerária que… Bem, só lendo mesmo:

 
Sócios do Benfica com descontos de 12% em agência funerária
Servilusa e clube encarnado assinaram parceria que permite aos sócios terem serviços personalizados durante a cerimónia

Os sócios “encarnados” têm acesso, desde abril, a um desconto de 12,5% nos serviços funerários da empresa e podem ainda contar com uma cerimónia personalizada, ao gosto benfiquista obviamente.

in dinheirovivo.pt

É, desde já, um artigo corajoso pois mete na mesma frase “gosto benfiquista” e o advérbio “obviamente”. Mas leiamos mais. “Entre as possibilidades estão a utilização de elementos alusivos ao clube na urna e até a hipótese de se fazer soar o hino do Benfica durante a cerimónia. O anúncio do falecimento do sócio pode integrar ainda o jornal oficial do clube.” Qual a piada que fazemos disto? Nenhuma. Continuem a ler e tudo surgirá por si só:

- “O desconto é ainda extensível ao círculo familiar do sócio.”

- “A parceria ‘surge de uma necessidade de mercado identificada pela Servilusa e que resulta da vontade e pedido de muitos benfiquistas em ter elementos alusivos ao clube nas cerimónias fúnebres, inclusive nas próprias urnas’, esclarece o diretor da marca SLB, Henrique Conceição.”

Para aqueles nossos leitores benfiquistas (estes sim imaginários) que estão irados com esta parte e acusam-nos de a termos feito por sermos sportinguistas e nisto de “morte” também temos muito que carpir desde domingo, desemparem-nos mas é o sarcófago!





Intermission ou A Festa da Taça

20 05 2012

Marco Paulo, “Eu Tenho Dois Amores”

“É este domingo que se joga a final da Taça de Portugal, o jogo que assinala o epílogo da época 2011/12 no Estádio Nacional, no Jamor. Sporting e Académica, dois emblemas históricos do futebol português, dão as cores a uma festa que se quer sempre bonita.”

in maisfutebol.iol.pt





Discurso de Mokhtar Al Meyda na Bênção das Fitas da Universidade do Tramagal

19 05 2012

O Blog do Jacaré inaugura aqui hoje uma série de textos marcantes do ponto de visto literário, oratório e o caralho. Tratam-se, obviamente ao contrário de tudo o que já se cagou neste blogue, de marcos incontornáveis (daí serem marcos) da literatura nacional marginal. Hoje vamos presentear-vos com um texto recente (ya, não nos apeteceu ir pesquisar e selecionar cenas com mais de uma semana): falamos do discurso delivered por Mokhtar Al Meyda, líder espiritual e contabilista amador do Partido de Libertação do Fundão (PLF) perante os alunos da Universidade do Tramagal no âmbito da sua Bênção das Fitas (ou Queima das Pastas ou uma merda dessas que inaugura a antecâmara do desemprego jovem).

Al Meyda, figura de proa do PLF, movimento separatista que “pugna pela liberdade do povo fundanense subjugado pela tirana Lisboa”[1], sucedeu a um rol de personalidades – e um ou outro canídeo – ilustres que foram convidadas para tão badalado momento, o de celebrar e motivar os jovens licenciados para uma vida profissional que se espera de sucesso[2]. Mas vamos ao que interessa. Deleitem-se com a transcrição do discurso de Al Meyda. As notas de rodapé são da responsabilidade daquele gajo ali.

DISCURSO DE MOKHTAR AL MEYDA NA BENÇÃO DAS FITAS DA UNIVERSIDADE DO TRAMAGAL (2012)

Mokhtar Al Meyda subiu ao palanque obviamente embriagado. Procurou em todos os bolsos do seu fato de cerimónia esburacado e cheio de manchas de origem vitivinícola ou mais sinistra em busca do discurso. Ao não encontrar o documento, rasgou parte da sua camisa e usou tal como papel onde o discurso estaria escrito. O público aplaude timidamente durante todo o processo. Al Meyda começa então o discurso após muito tossir e escarrar.

Senhor Reitor da Universidade do Tramagal [dirigindo-se a uma planta num vaso colocado à direita do palanque], senhores professores doutores, funcionários da Universidade do Tramagal e ilustres alunos. Ou direi ilustres colegas? É que também eu fui aluno desta magnífica instituição de ensino superior. Mas isso foi há muito tempo, ainda no tempo dos dinossauros. [o público começa a rir mas é interrompido pelo orador] Não, a sério. Isto não é uma piada. Eu drogava-me assiduamente na altura e tinha alucinações com dinossáurios bastante reais. Mas todos vocês que fumam fezes ressequidas de esquilo sabem do que estou a falar. Pois é verdade, cara plateia, há largos anos atrás eu estava desse lado. Ainda me lembro do meu ano de caloiro no laborioso [solta soluço alcoolizado] curso de Filologia Aquática. Esperavam-me árduos anos de intenso estudo e trabalho hercúleo. Foi por isso que caguei logo em tudo e comecei a beber e a drogar-me como se não houvesse amanhã[3].

Mas não estou aqui para falar de mim. Estamos hoje aqui reunidos neste ritual satânico em vossa honra, rapazes e raparigas, homens e mulheres, jovens e… jovenas? Bem, o que importa – e foi para isso que me convidaram – é dar-vos aqui um banho de elogios e apoio para os tempos vindouros. Muitos de vós, os que não estão a escassos passos de um alcoolismo irreversível, estarão ansiosos e até receosos do mundo “lá fora”[4]. Para vocês tenho apenas três palavras: têm razão! Pensam o quê, suas cabeças de couve-lombarda?! Que a vida real é um episódio do Foi Assim Que Aconteceu?! [ao fundo da plateia ouve-se um grunhir concordante]

Obrigado, Tino. Talvez pensem que estou a ser um pouco sombrio e duro com vocês. Na verdade, talvez alguns de vós possam vir a enveredar pela carreira sonhada. Pelo menos, foi para isso que o reitor me pagou para dizer aqui hoje. Acho que até era para começar o discurso por aí. Porra. Muitos de vós vão conseguir triunfar no mercado de trabalho real. Ou pelo menos alguns. Okay, talvez aquela boazuda ali com as mamas grand… [começam a ouvir-se os primeiros assobios dos presentes]

Adiante que se faz tarde e já ‘tou a ficar com securas. Agora que terminam esta etapa da vossa vida, não esqueceis que sois ainda jovens e ativos – ai! como eu gostaria beber do vosso sangue – e que tudo é possível! Não podem esquecer que tiraram o canudo numa das mais prestigiadas universidades da Europa. Okay, de Portugal. Okay, do distrito de Abrantes. Okay, do… Bem, vocês percebem onde eu quero chegar. Eu sei que não e… [roncos impercetíveis devido a uma alheação cada vez maior] Tomem o meu exemplo. Aos 33 anos – idade em que (não) acabei o curso[5] – fui lançado de cabeça para dentro deste turbilhão frenético e cruel que é o mercado laboral português. Não obstante ter um diploma num dos cursos com maior saída profissional da altura, cedo deparei-me com quase insuperáveis adversidades. E sabem como soube ultrapassar estes altos obstáculos, estas quase intransponíveis barreiras? Passei ao lado. Não falo metaforicamente, passei simplesmente ao lado. Ya, não sou estúpido.

Como dizia, vós vandes ter de saber triunfar na vida, não ter medo do que vos espera lá fora. E arregaçandem as mangas! Não perguntem o que o vosso país pode fazer por vocês mas o que vocês podem trazer a mim. Pode ser uma Super Bock bem fresquinha, já agora. Não são vocês que vão mudar o mundo, é verdade. Mas muito podem fazer por ele. Nunca tão poucos farão tanta merda insignificante, é certo, mas porra… [mais palavreado incompreensível e arrastado]

Antes de me despedir [aplausos mais do que sinceros na plateia], quero deixar-vos com uma história inspiradora e real, que espero ser-vos útil no amanhã. Era uma vez 3 porquinhos que viviam na floresta, cada um na casa que construiu. Os dois mais novos só pensavam em brincar e não gostavam de trabalhar. Um fez a casa de palha e o outro de madeira, o mais velho que era trabalhador fez uma casa de tijolo e cimento, que lhe dava segurança. Os mais novos faziam troça dele, que levava o tempo todo a trabalhar e não brincava. Certo dia, o lobo pareceu e cada um fugiu para sua casa, o lobo aproximou-se da casa de palha e começou a soprar com tanta força que o telhado e as paredes foram para o ar. O porquinho correu para a casa do outro irmão, o lobo voltou a soprar com tanta força, que depressa derrubou a madeira. Os dois porquinhos, assustados correram para casa do irmão mais velho. E o lobo furioso voltou a soprar, mas desta vez não conseguiu derrubar a casa de tijolos e acabou por se ir embora. Os dois porquinhos aprenderam a lição, primeiro trabalhar e depois brincar.

Muito obrigado pelo vosso tempo e que Deus vos abençoe.

[o público aplaude de pé e alguns não escondem as lágrimas]


[1] As aspas não são nossas, são de quem as apanhar.
[2] No ano transato, por exemplo, o orador convidado foi Alcino Faria, carismático vice-presidente do Grupo de Pescadores Amadores de Olivais Norte.
[3] É verdade.
[4] Ao tentar fazer aspas com as mãos levantadas, quase perde o equilíbrio e cai.
[5] Até à data, foi impossível confirmar documentalmente que Al Meyda tenha-se sequer inscrito na Universidade.





Damnant quod non intelligunt

16 05 2012

Por todo o mundo, enquanto o caro leitor lê esta frase, a internet foi usada para acções inspiradoras e decisivas para a Humanidade. Depois, há estas pesquisas-Google que vieram ultimamente dar ao nosso blogue:

- alcatifa no quarto faz mal à saude
- tinea cruris suja cueca
- filme pornografico sócio estou concentradíssimo
- gostava de ter revsita gina ou tania
- moto 4 chinesas
- o fogueteiro passos coelho
- autovivendas baratas
- esta+na+hora+de+portugal+ser+salvo+por+salazar
- tive que puxar o cagalhão e quando saiu veio tipo um fio agarrado
- pinturas eroticas carlos pereira fernando( tuga)
- sun porno com idosasas velhas
- eu quero estudar a especialidade do jacaré
- putasvelhasegordas
- imagem quem quiser o salazar de um tiro nos cornos
- hidrotério pascoal
- alvaro santos pereira alucinado
- gajas boas com motas
- shôtor ricky
- fetiche por joanetes
- troco carro por mota em braga portugal

Tenham vergonha.





Intermission

15 05 2012

Sneaker Pimps, “Bloodsport” (ao vivo).

Cocaína.








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